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CRÍTICA AO CONCERTO DE DREAM THEATER DO DIA 19 DE FEVEREIRO EM BARCELONA
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Tal como tinha prometido, aqui segue o meu relato do que aconteceu no concerto de Dream Theater em Barcelona, dia 19 de Fevereiro. Como sabem este foi o último espectáculo europeu da World Tourbulence Tour 2002 e por isso mesmo os DT quiseram fazer desta noite algo memorável.

Chegámos às portas da sala de espectáculos Razzmatazz as 12:15, queriamos ser os primeiros e realmente fomos. O autocarro de DT chegou por volta das 17 horas e eu vi pela primeira vez ao vivo e a cores os 5 magníficos. o Myung é exactamente como eu estava a espera, o Rudess também (embora aquele cabelinho não lhe fique lá muito bem...), o Petrucci é muito mais baixo do que eu pensava e o Portnoy também. o LaBrie, para alem de também ser baixote, já esta a ficar velhinho, as raízes do cabelo dele estavam todas brancas. Passados uns minutos o LaBrie vem cá fora ter com os fãs para autógrafos e fotografias.

As portas abriram às 20:30. A sala 1 do Razzmatazz tem capacidade para 2500 pessoas em pé e estava cheia (bilhetes esgotados). Se quiserem informações técnicas detalhadas (luzes, som, etc.) acerca desta sala dirijam-se a http://www.razz.ws/tecnrider1.phtml.

Como esta era uma noite especial não ia haver banda de suporte e foi com satisfação que ouvi anunciar que o espectáculo ia ter a duração de 3 horas e meia! A tensão começa a crescer quando se vê a mulher e os filhos do Portnoy a subirem para os lugares deles, do lado esquerdo do palco. Sabíamos que já não podia demorar muito mais. Eram 21:45.

Já começava a ficar bastante cansado das pernas, visto estar em pé há tantas horas, mas nessa altura os DT entraram em palco as minhas forças regressaram logo. Das colunas começa a sair um "Open your eyes, Nicholas", seguido da chuva com que acaba o “Scenes From a Memory” e com que começa o “Six Degrees Of Inner Turbulence”. O espectáculo tinha começado.

A disposição que eles tomaram no palco era a seguinte (visto do publico): Petrucci à frente, no lado direito, LaBrie à frente, ao meio, Myung à frente, do lado esquerdo, Rudess atrás, do lado esquerdo, Portnoy atrás, ao meio, e uma estrutura com pandeireta e instrumentos do género que o LaBrie toca em algumas partes instrumentais. O teclado do Rudess estava assente sobre um cilindro vertical que conseguia rodar 360º, o que lhe dava mais dinâmica que o normal. o Portnoy tinha em palco o nosso monstro favorito, o Siamese Monster! Como pano de fundo tinham uma tela onde era projectada a imagem da capa do álbum de onde eram retiradas as músicas.

O concerto foi dividido em 2 sets. A setlist do primeiro set consistiu em:

1. The Glass Prison
2. 6:00
3. Beyond This Life
4. Lifting Shadows Off a Dream (com uma nova introdução)
5. Surrounded
6. Burning My Soul (a versão original de 96, que inclui a Hell's Kitchen)
7. Another Hand
8. The Killing Hand
9. Another Dimension (LTE)
10. Peruvian Skies
11. The Great Debate

Como é óbvio, só tenho a dizer bem do que ouvi. Eles não se limitaram apenas a tocar músicas tiradas de álbuns. Notava-se que era um espectáculo trabalhado, fizeram pequenas introduções para algumas músicas e misturaram umas quantas numa salada russa musical. Foi lindo! No final de uma das músicas a pequena Melody Portnoy vai ter com o papá à bateria e ele levanta-a e mostra-lhe o público imenso.

Acaba-se a primeira parte. o LaBrie avisa que vão fazer um intervalo de 20 minutos e que a segunda parte vai ser mais speedada. Passados os 20 minutos as luzes apagam-se novamente. Eles entram em palco, mas algo está diferente... tanto o Rudess como o Portnoy como o Petrucci vêm vestidos com t-shirts de Metallica.

A setlist do segundo set foi a seguinte:

12. Battery
13. Master of Puppets
14. The Thing That Should Not Be
15. Welcome Home (Sanitarium)
16. Disposable Heros
17. Leper Messiah
18. Orion
19. Damage Inc.

Pois bem, acertaram. DT tocou ao vivo o álbum "Master Of Puppets" de Metallica! Tudo preparado especialmente para aquela noite! O Rudess não devia saber tocar tudo de cor, esteve sempre com a pauta a frente a seguir o que lá estava, solos e tudo, e não se enganou! Caramba que ele é mesmo bom! Na tela de fundo apareceu uma versão da capa do "Master Of Puppets", com o símbolo de DT em cada uma das cruzes e "Dream Theater" escrito em vez de “Metallica”, com o mesmo tipo de letra.

Já para o final notava-se que o público começava a querer ouvir DT novamente. O segundo set acabou, eles foram-se embora, o público pediu mais e era chegada a hora do encore. O Portnoy entretanto aparece com o seu robe de boxe "Iron" Mike Portnoy.

A primeira música do encore foi "The Spirit Carries On". o público estava ávido por ouvir DT outra vez e foi um momento lindo com toda a gente na sala a cantar. O Portnoy entretanto pega num isqueiro e a sala ilumina-se com os isqueiros de centenas de fãs. A segunda e última música do encore foi uma versão prolongada de "Take The Time", com excertos de duas músicas de Rush, "Working Man" e "By-Tor". Pelo meio ainda há um break estudado em que param todos menos o Portnoy que grita "Damage Inc.!". Ficam todos a olhar para ele a rir e recomeçam onde tinham parado. No final os DT agradeceram a todos demoradamente, as luzes da sala acenderam-se e o espectáculo acabou.

Foi realmente uma noite memorável. O Petrucci esteve impecável, com os seus solos magníficos que ao vivo ainda são mais impressionantes. o Rudess não interagiu muito com o público, ele é mais de ficar no seu cantinho, concentrado na música. De vez em quando sentia que tinha a necessidade de olhar para o público, sorria um pouco e continuava. O Portnoy esteve muito bem, show off e sempre sorridente como é característico dele. O Myung, sendo tímido como é, não interagiu muito com o público e olhava mais para o baixo, mas o que ele toca compensa a falta de interacção. O que me deu a entender é que aquilo que o Petrucci faz na guitarra faz o Myung no baixo... O LaBrie surpreendeu-me pela positiva. Quem ouve o "Once In a Livetime" ou mesmo o "Live Scenes From New York" fica com uma ideia de que ele ao vivo não é assim tão bom, mas estão enganados tal como eu estava. A voz dele não falhou uma única vez durante a noite toda.

O público esteve bastante bem, havia gente de todos os cantos do mundo e de todas as idades. Havia japoneses que tinham ido a Barcelona de propósito só para assistir àquele concerto e ate cheguei a ver homens e mulheres com 50 e 60 anos. Isto demonstra que o público de DT é muito leal e variado. Não houve mosh e a agitação no público era menor que em concertos de outras bandas. Na minha opinião os fãs estavam mais interessados em olhar para os instrumentos e para a complexidade musical. Mas não interpretem mal, os braços estiveram sempre no ar e as vozes também. Simplesmente acho que teria sido melhor uma sala de espectáculos com lugares sentados, tal como foram quase todas as salas de espectáculos em que os DT tocaram durante este "World Tourbulence Tour 2000". Por outro lado o set de Metallica não ficava nada bem em lugares sentados.

Tive pena de não terem tocado a música "Metropolis Part 1" nem a épica "Six Degrees Of Inner Turbulence", mas foi uma noite memorável e valou bem a pena os 2600 km que eu percorri de automóvel. Foi o melhor concerto a que eu fui até hoje, sem dúvida alguma!


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Henrique Rodrigues, 21 de Fevereiro de 2002
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